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Pretextos para Escrever

Tudo justifica a vontade de escrever.

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Memórias de uma noite de Verão

22.09.21, Bruno Ervedosa

A noite era de verão. Estávamos em pleno mês de agosto, mês de férias, praia e muita diversão. Eu sentava-me na rua à porta de casa com o meu avô e olhávamos o céu. Eu tentava contar as estrelas. Não eram muitas as estrelas que contava, talvez porque não sabia contar mais do que 20 ou porque não conseguia ver o brilho de mais estrelas. Devia ter os meus 3 anos, 4, não mais que isso. 

Na porta ao lado estava o meu pai a ler um livro de cowboys. Ele tinha uma grande coleção desses livros. Nunca gostei dessas histórias e nem mesmo hoje gosto. De que livros gostava de ler na altura? Livros aos quadradinhos, banda desenhada. 

Depois, chegava a minha mãe e a minha avó que se juntavam a nós assim que terminavam de lavar a loiça do jantar. 

Eu continuo a olhar para o céu. Vejo que uma das estrelas brilha mais que as outras.

"Avô, que estrela é aquela que brilha mais que as outras?"

"Aquela é a Estrela do Norte."

"Estrela do Norte?" 

"Sim, esta estrela mostra se estás virado para o sul ou para o norte."

Fiquei a olhar atentamente para o meu avô, a pensar no que ele me tinha dito.

"Oh avô, então, quer dizer que também há a estrela do sul?"

"Sim, há. Mas só quem está no sul é que consegue ver."

"Então, tu no Alentejo consegues ver a estrela?" 

“Não, tinha que estar mais a sul, lá para África.” 

Continuei a olhar para o céu à procura de mais estrelas que brilhassem tanto como a Estrela do Norte.

Horas mais tarde, o sono começava a tomar conta dos meus olhos, mas ninguém queria sair daquela noite agradável com o calor, a lua e as estrelas. É o ambiente perfeito para ficar deitado no chão a olhar o infinito do céu.

Pouco depois, a minha mãe mandou-me para a cama.

"Vá, Bruno, está na hora de ir para a cama." 

“Oh mãe, queria ficar mais um pouco.”

“Está bem, só mais 5 minutos e depois vamos todos dormir”

Ficava contente e ia ter com o meu avô fazer mais perguntas.

“Avô a Estrela do Norte consegue ouvir-nos falar com ela.”

“Consegue, sim. Até podes chegar à noite e dizer assim:  

Minha estrelinha do norte 

Que a noite aparece

Se queres saber como eu me porto 

Pergunta a quem me conhece.”

Olhei para o meu avô intrigado.

“Avô, porque é que a Estrela do Norte quer saber como eu me porto? Ela vai dizer ao menino Jesus e ao Pai Natal?” 

“Não vai dizer, mas eles podem perguntar e, então, ela não pode mentir.”

Fiquei a pensar naquilo a partir daquele momento. Eu fiquei com a ideia de que me tinha que portar bem à noite para que a Estrela do Norte não contasse ao menino Jesus e ao Pai Natal.

A caminho da cama ponderava todas as minhas ações antes de fazer e quando não sabia que fazer, esperava que a minha mãe dissesse o que deveria, para não ter culpa no que fizesse. 

Adormeci a pensar nas estrelas e que um dia queria ser astronauta.

Este texto foi escrito para o desafio semanal do blogue Porque Eu Posso.

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